{"id":169,"date":"2023-06-21T19:30:07","date_gmt":"2023-06-21T19:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/annakingsford.com\/portugues\/?page_id=169"},"modified":"2023-06-21T19:30:12","modified_gmt":"2023-06-21T19:30:12","slug":"em-memoria-de-anna-kingsford","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/annakingsford.com\/portugues\/em-memoria-de-anna-kingsford\/","title":{"rendered":"Em Mem\u00f3ria de Anna Kingsford (1846-1888)"},"content":{"rendered":"<hr \/>\n<p style=\"text-indent: 0pt;\" align=\"justify\"><strong>HART<\/strong>, Samuel Hopgood. <strong><em> Em Mem\u00f3ria de Anna Kingsford<\/em><\/strong> (<em>In Memoriam Anna Kingsford<\/em>). <em>The Leeds Vegetarian Society<\/em>, Leeds (Inglaterra), 1947.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 0pt;\" align=\"justify\"><strong><i>Informa\u00e7\u00f5es:<\/i><\/strong> Livreto contendo o texto completo, com algumas adi\u00e7\u00f5es pelo autor, de uma palestra ministrada para a <em>Sociedade Vegetariana de Leeds<\/em> (Inglaterra), em 15 de setembro de 1946, em comemora\u00e7\u00e3o ao centen\u00e1rio de nascimento de Anna Kingsford. Segue o texto completo, <em><strong>em portugu\u00eas:<\/strong><\/em><\/p>\n<hr \/>\n<div style=\"text-indent: 0pt;\" align=\"justify\">Tradu\u00e7\u00e3o: <strong>Daniel M. Alves<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-indent: 0pt;\" align=\"justify\">Revis\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o: <strong> <a href=\"https:\/\/annakingsford.com\/portugues\/contato\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Arnaldo Sisson Filho<\/a><\/strong><\/div>\n<div style=\"text-indent: 0pt;\" align=\"justify\"><strong>[Embora o texto em ingl\u00eas seja de dom\u00ednio p\u00fablico, a tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9. Esse arquivo pode ser usado para qualquer prop\u00f3sito n\u00e3o comercial, desde que essa notifica\u00e7\u00e3o de propriedade seja deixada intacta.]<\/strong><\/div>\n<div style=\"width: 50px; height: 20px;\"><\/div>\n<hr \/>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u201cEM MEM\u00d3RIA DE ANNA KINGSFORD (1846-1888)\u201d<\/em><\/strong><\/h2>\n<h3 style=\"text-align: center;\"><strong><em>Samuel Hopgood Hart<\/em><\/strong><\/h3>\n<div style=\"width: 50px; height: 10px;\"><\/div>\n<div style=\"text-indent: 0pt;\" align=\"justify\"><em>[Texto completo, com algumas adi\u00e7\u00f5es pelo pr\u00f3prio autor, de uma palestra proferida na Sociedade Vegetariana de Leeds (Inglaterra), em 15 de setembro de 1946, como comemora\u00e7\u00e3o do Centen\u00e1rio do nascimento de Anna Kingsford.]<\/em><\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\"><strong><em>\u201cTenho falado aos profetas, e tenho multiplicado vis\u00f5es.\u201d<\/em><\/strong> (<em>Os\u00e9ias<\/em> 12:10)<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">A finada Madame Isabelle de Steiger, falando daquelas que ela considerava como as \u201ctr\u00eas maiores mulheres de sua \u00e9poca\u201d \u2013 com cada uma das quais ela afirmava ter \u00edntima amizade e conhecimento \u2013 me disse: \u201cMary Anne Atwood era a maior erudita; Helena Blavatsky era a maior ocultista; e Anna Kingsford (cujo centen\u00e1rio de nascimento agora comemoramos) era a mais iluminada (iluminada de seu interior)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Acredito que esse julgamento seja correto. A <strong><em>Luz do Esp\u00edrito<\/em><\/strong> brilhou atrav\u00e9s de Anna Kingsford. Edward Maitland, referindo-se ao seu primeiro encontro com Anna Kingsford, fala de \u201ctodo o seu ser\u201d como estando \u201cradiante com uma luz espiritual que parecia fluir de uma luminosa fonte interior\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Anna Bonus nasceu no dia 16 de setembro de 1846, em Maryland Point, Stratford, em Essex; filha de John Bonus, e a mais jovem de doze filhos. Ela herdou de seu pai, juntamente com uma grande capacidade para trabalhar, uma constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica t\u00e3o fr\u00e1gil que quando nasceu ela foi envolvida em uma coberta e deixada de lado, pois parecia estar morta. Enquanto que de sua m\u00e3e ela herdou uma vitalidade que a dotava de grande resist\u00eancia e tamb\u00e9m uma for\u00e7a de vontade que a capacitava a dominar as doen\u00e7as, as debilidades f\u00edsicas e os sofrimentos que a vida iria lhe trazer.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Mas, al\u00e9m disso, ao longo de sua vida, ela manifestou caracter\u00edsticas que n\u00e3o poderiam ser creditadas \u00e0 hereditariedade f\u00edsica, pois eram caracter\u00edsticas espirituais. Como nos diz Wordsworth (<strong><em>Intimations of Immortality from Recollections of Early Childhood<\/em><\/strong>):<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">\u201cNosso nascimento \u00e9 apenas um sono e um esquecimento:<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">A alma que nasce conosco, a Estrela de nossa vida,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Teve em algum outro lugar o seu ocaso,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">E vem de muito longe:<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">N\u00e3o em completo esquecimento,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">E tampouco em completa nudez,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Mas trilhando nuvens de gl\u00f3ria n\u00f3s viemos<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">De Deus, que \u00e9 o nosso lar.\u201d<\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Esse era o ensinamento de Anna Kingsford, que disse: \u201cA alma passa de uma forma para outra forma; e s\u00e3o m\u00faltiplas as mans\u00f5es de sua peregrina\u00e7\u00e3o.\u201d A verdade a esse respeito se tornar\u00e1 cada vez mais clara \u00e0 medida que prosseguirmos. <strong><em> Anna Kingsford nasceu com uma miss\u00e3o.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Nos dias de sua inf\u00e2ncia ela costumava dizer que era \u201cda fam\u00edlia das fadas e n\u00e3o dos humanos (&#8230;) e que apenas por ado\u00e7\u00e3o ela era filha de seus pais, sendo que o seu verdadeiro lar era no pa\u00eds das fadas (&#8230;). Ela podia at\u00e9 mesmo se lembrar, acreditava ela, de sua \u00faltima entrevista com a rainha daquele belo pa\u00eds, a quem ela rogou por permiss\u00e3o para visitar a Terra, e de quem recebeu solenes avisos acerca do sofrimento e do trabalho penoso que ela teria que suportar ao assumir um corpo humano (&#8230;). Mas ela insistiu em vir, sendo impelida por uma impress\u00e3o irresist\u00edvel de ter um grande e necess\u00e1rio trabalho, que seria tanto em seu pr\u00f3prio benef\u00edcio quanto dos demais e que apenas ela poderia realizar.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Mais adiante em sua vida ela costumava afirmar que \u201chavia retornado para a Terra com o objetivo de realizar uma dupla reden\u00e7\u00e3o, a da ra\u00e7a e a dela mesma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">A faculdade da vid\u00eancia se manifestou desde uma tenra idade. Mas ela logo aprendeu a mant\u00ea-la em segredo, porque isso implicava em consultas com o m\u00e9dico da fam\u00edlia, com resultados ao mesmo tempo desagrad\u00e1veis e injuriosos para ela.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Ela tinha talento para m\u00fasica, canto, desenho e pintura; mas, mais do que tudo, ela era uma poetisa. Muitas coisas interessantes relacionadas com sua inf\u00e2ncia e com sua adolesc\u00eancia est\u00e3o relatadas em sua biografia \u2013 <strong><em>The Life of Anna Kingsford<\/em><\/strong> (<em>A Vida de Anna Kingsford<\/em>), de Edward Maitland \u2013 a qual est\u00e1 escrita n\u00e3o apenas como a hist\u00f3ria de uma pessoa, mas de uma alma.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Em sua juventude o seu grande recurso foi escrever, e foi principalmente em versos que ela buscou express\u00e3o para suas id\u00e9ias. A qualidade de seus poemas, enquanto ainda apenas uma crian\u00e7a, era tamanha que lhe conquistou espa\u00e7o em v\u00e1rias revistas. Seu primeiro livro \u2013 <strong><em>Beatrice: a Tale of the Early Christians<\/em><\/strong> (<em>Beatriz: um Conto dos Primeiros Crist\u00e3os<\/em>) \u2013 publicado em 1863, foi escrito quanto tinha treze anos. A respeito dessa obra ela disse: \u201cTudo me veio como que pronto, e tive apenas que escrever\u201d. Na dobra da capa de uma c\u00f3pia desse livro, a qual tenho comigo, est\u00e3o escritas as seguintes palavras:<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">\u201cReceba-o Oh Senhor<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">E permita que seja,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Como algo que fiz para V\u00f3s!<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Annie Bonus.\u201d<\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Alguns dos seus poemas foram publicados (em 1866) em um pequeno livro com o t\u00edtulo de <strong><em>River Reeds<\/em><\/strong> (<em>Juncos do Rio<\/em>), sendo que tudo ali foi escrito antes que completasse dezessete anos, e muitos deles quando ela era apenas uma crian\u00e7a de dez ou onze anos.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Na escola, a sua curiosidade sobre assuntos religiosos foi motivo de humilha\u00e7\u00e3o e resultou em severa imposi\u00e7\u00e3o de penalidades; no entanto, o primeiro pr\u00eamio de composi\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas sempre com ela ficava.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Ao deixar a escola, ela se dedicou a escrever. Durante esse per\u00edodo escreveu suas <strong><em>Flower Stories<\/em><\/strong> (<em>Est\u00f3rias de Flores<\/em>), as quais, em 1875, juntamente com outras est\u00f3rias, foram publicadas com o t\u00edtulo de <strong><em>Rosamunda the Princess<\/em><\/strong> (<em>A Princesa Rosamunda<\/em>). Outras de suas est\u00f3rias foram inclu\u00eddas na obra <strong><em>Dreams and Dream Stories<\/em><\/strong> (<em>Sonhos e Est\u00f3rias de Sonhos<\/em>), publicada ap\u00f3s sua morte. Muitas delas foram produtos do per\u00edodo do sono, at\u00e9 mesmo em seus m\u00ednimos detalhes.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">No \u00faltimo dia do ano de 1867 ela se casou com seu primo Algernon Godfrey Kingsford, que ent\u00e3o estava no servi\u00e7o p\u00fablico. Mais tarde ele foi ordenado na Igreja Anglicana, e depois se tornou vig\u00e1rio de Atcham, perto de Shrewsbury. Ela acompanhou seu marido em seus estudos teol\u00f3gicos, e adquiriu uma s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o na teologia anglicana.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Como estava cheia de id\u00e9ias, que tomavam conta de sua mente, quanto a um trabalho que lhe estava reservado no futuro, ela colocou como uma condi\u00e7\u00e3o para seu matrim\u00f4nio que ele n\u00e3o se tornasse um obst\u00e1culo a respeito de qualquer carreira que ela pudesse seguir \u2013 e assim continuou a viver com a sensa\u00e7\u00e3o de que algum grande trabalho seria por ela realizado.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Seus estudos teol\u00f3gicos n\u00e3o conseguiram modificar a \u201cavers\u00e3o que ela sentia ao sistema religioso no qual havia sido educada, devido \u00e0 falta de rela\u00e7\u00e3o com suas pr\u00f3prias necessidades espirituais, intelectuais ou emocionais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Devido a uma associa\u00e7\u00e3o com um pequeno grupo de amigos cat\u00f3licos ela obteve algum conhecimento dos ensinamentos da igreja desses amigos, com os quais ela sentiu ter simpatia.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Em 1870, ela ingressou na Igreja Cat\u00f3lica Romana, ap\u00f3s ter recebido tr\u00eas visitas noturnas de \u201cuma apari\u00e7\u00e3o que dizia ser Santa Maria Madalena\u201d, que a convidou para ingressar na Associa\u00e7\u00e3o Romana \u201ccomo um passo necess\u00e1rio para o trabalho que lhe estava reservado no futuro, cuja natureza lhe seria comunicada em seu devido tempo\u201d. Assim, ao seu conhecimento da teologia anglicana, ela agora adicionava o da doutrina cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Nenhuma quest\u00e3o havia ainda surgido em sua mente com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s duas apresenta\u00e7\u00f5es do Cristianismo: a sacerdotal e a m\u00edstica. Ela aceitou a doutrina cat\u00f3lica como sendo contr\u00e1ria \u00e0 sect\u00e1ria [NT: A palavra \u201ccat\u00f3lica\u201d significa universal], e n\u00e3o a doutrina sacerdotal como contr\u00e1ria \u00e0 espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Nessa \u00e9poca, ela n\u00e3o compreendia o significado espiritual dos dogmas da Igreja Cat\u00f3lica. Anos mais tarde, ela disse: \u201cMeu Esp\u00edrito lutou dentro de mim para tornar-me uma cat\u00f3lica sem que eu soubesse a raz\u00e3o\u201d. N\u00e3o foi sen\u00e3o em 1875-6 que ela come\u00e7ou \u201cpor meio da Luz Interior\u201d a compreender a raz\u00e3o de ter sido conduzida a dar esse passo. Foi ent\u00e3o que se revelou para sua alma aquele sistema divino de ensinamento, o qual est\u00e1 apresentado nas p\u00e1ginas de <strong><em>The Perfect Way<\/em><\/strong> (<em>O Caminho Perfeito<\/em>), de <strong><em>The Credo of Christendom<\/em><\/strong> (<em>O Credo do Cristianismo<\/em>) e de outros de seus escritos: um ensinamento que demonstra que \u201cTudo que \u00e9 verdadeiro \u00e9 espiritual\u201d, e que \u201cNenhum dogma da Igreja \u00e9 verdadeiro que n\u00e3o seja espiritual\u201d. A ela foi dito: \u201cSe [um dogma] for verdadeiro e, no entanto, lhe parecer ter um significado material, saiba que voc\u00ea ainda n\u00e3o o esclareceu. Trata-se de um mist\u00e9rio: busque sua interpreta\u00e7\u00e3o. Aquilo que \u00e9 verdadeiro, o \u00e9 t\u00e3o somente para o esp\u00edrito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Por um tempo ela teve uma participa\u00e7\u00e3o ativa no movimento pelos direitos das mulheres, e tornou-se a propriet\u00e1ria e editora do jornal <strong><em>The Lady\u2019s Own Paper<\/em><\/strong> (<em>O Jornal da Pr\u00f3pria Mulher<\/em>). Em sua opini\u00e3o \u201cHomens e Mulheres est\u00e3o em uma igualdade. Nenhum dos dois est\u00e1 em primeiro lugar\u201d. Era o \u201cprinc\u00edpio da mulher no homem\u201d (a alma e suas intui\u00e7\u00f5es), que ela defendia.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Como editora desse peri\u00f3dico ela tomou consci\u00eancia da vivissec\u00e7\u00e3o e, dessa \u00e9poca em diante, a supress\u00e3o desse crime contra a humanidade tornou-se um dos principais objetivos de sua vida, e ela decidiu estudar medicina com o intuito de se qualificar para a luta e o debate que a aguardavam. Ela considerava a vivissec\u00e7\u00e3o como \u201ca mais abomin\u00e1vel das pr\u00e1ticas, tanto em rela\u00e7\u00e3o a sua natureza, quanto a seus princ\u00edpios\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Ela tamb\u00e9m foi influenciada pela quest\u00e3o do regime alimentar. Seguindo o conselho de seu irm\u00e3o mais velho (John Bonus) ela j\u00e1 havia deixado de comer carnes \u201ccom tamanhos benef\u00edcios para ela mesma, f\u00edsica e mentalmente, que a levaram a ver nessa pr\u00e1tica o \u00fanico meio efetivo para a reden\u00e7\u00e3o do mundo, seja em rela\u00e7\u00e3o aos pr\u00f3prios homens ou aos animais\u201d. O homem, sendo carn\u00edvoro e se sustentando por meio da matan\u00e7a e da tortura, n\u00e3o era para ela de modo algum homem, em qualquer sentido verdadeiro do termo.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Na primavera de 1873 ela teve uma experi\u00eancia marcante. Ela j\u00e1 havia come\u00e7ado os estudos de medicina, quando recebeu de um estranho uma carta, assinada por \u201cAnna Wilkes\u201d, dizendo que essa que lhe escrevia tinha lido no seu jornal <strong><em> The Lady\u2019s Own Paper<\/em><\/strong> (<em>O Jornal da Pr\u00f3pria Mulher<\/em>), com profunda admira\u00e7\u00e3o, uma de suas est\u00f3rias de \u2013 <strong><em>In My Lady\u2019s Chamber<\/em><\/strong> (<em>Em Meu Quarto de Mulher<\/em>) \u2013 e que depois de ter lido \u201chavia recebido uma mensagem para ela do Esp\u00edrito Santo, a qual deveria ser entregue pessoalmente. Pergunto se a Sra. Kingsford me receberia, e quando?\u201d<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Um encontro foi agendado e, no encontro, a visitante afirmou que \u201cela havia recebido uma clara mensagem do Esp\u00edrito Santo, e que tinha sido t\u00e3o fortemente impressionada no sentido de vir e entreg\u00e1-la pessoalmente que n\u00e3o p\u00f4de evitar\u201d. A sua mensagem era no sentido de que por cinco anos Anna Kingsford deveria permanecer em retiro, continuando os estudos nos quais ent\u00e3o estava engajada, fossem eles quais fossem, bem como no modo de vida no qual havia ingressado, n\u00e3o permitindo que nada ou qualquer pessoa a afastasse dos mesmos. E que, depois disso, o Esp\u00edrito Santo a levaria a sair de seu isolamento \u201cpara ensinar e pregar, e que um grande trabalho lhe seria dado para realizar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Uns poucos meses depois, ela viu na revista <strong><em> Examiner<\/em><\/strong> uma nota sobre uma obra intitulada <strong><em> By-and-By<\/em><\/strong> (<strong><em>Dentro em Breve<\/em><\/strong>), de Edward Maitland \u2013 que at\u00e9 ent\u00e3o era um desconhecido \u2013 lendo a qual ela se sentiu t\u00e3o em simpatia com o escritor que lhe escreveu propondo um interc\u00e2mbio de id\u00e9ias. Seguiu-se uma troca de correspond\u00eancias e em uma das cartas, tendo referido ao fato de que era um membro da Igreja Cat\u00f3lica Romana, ela disse: \u201cmas por convic\u00e7\u00e3o eu sou antes uma pante\u00edsta do que qualquer outra coisa, e meu modo de vida \u00e9 o de quem se alimenta apenas dos frutos da terra. Em outras palavras, tenho horror \u00e0 carne como alimento, e perten\u00e7o \u00e0 Sociedade Vegetariana. No momento, estou estudando medicina\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Antes do final do ano ela havia passado no exame preliminar da escola de farm\u00e1cia, e estava planejando, em breve, ir para Paris com o prop\u00f3sito de l\u00e1 ser admitida na Faculdade de Medicina \u2013 uma vez que as autoridades em Londres haviam proibido o ingresso de mulheres nas suas faculdades de medicina.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Em janeiro do ano seguinte (1874), ela encontrou Edward Maitland pela primeira vez. Foi em Londres e apenas por um breve momento, e durante uma \u00fanica tarde. Ao descrever a impress\u00e3o que ela lhe causou, ele disse: \u201cinicialmente ela parecia antes um ser mais do mundo das fadas do que humana, e mais uma crian\u00e7a do que uma mulher \u2013 pois ainda que tivesse vinte e sete anos ela mal parecia ter dezessete\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">T\u00e3o imediato foi o reconhecimento m\u00fatuo que n\u00e3o houve barreira de estranhamento a ser vencida. \u201cA Justi\u00e7a nas quest\u00f5es das rela\u00e7\u00f5es entre os g\u00eaneros feminino e masculino, bem como entre os humanos e os animais, estas eram suas metas principais. Pois toda injusti\u00e7a era crueldade, e crueldade era, para ela, por excel\u00eancia, o pecado imperdo\u00e1vel\u201d. A justi\u00e7a era o princ\u00edpio predominante de sua natureza.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Como resultado desse encontro veio um convite para Maitland visitar a resid\u00eancia paroquial de Shropshire na primeira oportunidade que surgisse. O convite para a visita \u2013 que durou aproximadamente duas semanas \u2013 foi aceito no m\u00eas seguinte e se mostrou um ponto crucial em suas vidas. Edward Maitland n\u00e3o teve d\u00favidas de que essa associa\u00e7\u00e3o surgiu para o cumprimento de suas respectivas miss\u00f5es \u2013 pois ele tamb\u00e9m era um homem consciente de que tinha uma miss\u00e3o na vida e que ainda tinha que descobri-la.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">Eles viam a verdade da mesma forma. As barbaridades perpetradas nos laborat\u00f3rios de vivisse\u00e7\u00e3o, das quais ele tomou conhecimento pela primeira vez, o motivaram a juntar-se a ela na planejada cruzada contra a vivissec\u00e7\u00e3o. \u201cVivissec\u00e7\u00e3o significava a demoniza\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a\u201d e, compreendendo que os animais n\u00e3o se libertariam das torturas dos vivissectores pelas m\u00e3os dos que se alimentam deles, ele decidiu imediatamente se tornar vegetariano.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\" align=\"justify\">A maior parte do tempo do seu curso de medicina teve de ser passado em Paris, e sua recusa em permitir que seu preceptor fizesse experimentos em animais vivos durante as li\u00e7\u00f5es para ela, o levou a se demitir. Ela ent\u00e3o tentou dispensar as aulas particulares, passando a assistir as aulas oficiais proferidas nas escolas de medicina, mas essas logo tiveram que ser interrompidas, pois os laborat\u00f3rios eram t\u00e3o pr\u00f3ximos \u00e0s salas de aula que os gritos dos animais sob tortura podiam ser claramente ouvidos, o que lhe era t\u00e3o penoso que a levou a desistir de ir a essas aulas e tentar novamente recorrer \u00e0s aulas particulares. Mas sua persistente recusa em permitir que os professores fizessem vivissec\u00e7\u00e3o nas aulas para ela continuou a sujeit\u00e1-la n\u00e3o s\u00f3 a constantes alterca\u00e7\u00f5es com eles, mas tamb\u00e9m a uma constante troca de professores.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt;\">Durante toda a sua gradua\u00e7\u00e3o ela jamais hesitou em sua recusa de permitir experimentos em animais vivos em suas aulas. Em um artigo que ela discorre sobre a vivissec\u00e7\u00e3o nas escolas de medicina de Paris, ela escreveu:<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cLogo ap\u00f3s o meu ingresso como aluna na Faculdade de Paris, quando ainda n\u00e3o conhecia bem os horrores do m\u00e9todo da vivissec\u00e7\u00e3o, estava certa manh\u00e3 estudando sozinha no Museu de Hist\u00f3ria Natural, quando de repente fui perturbada por uma explos\u00e3o de gritos horrendos, de uma natureza mais dolorosa do que palavras podem descrever, vindos de algum c\u00f4modo, do outro lado do edif\u00edcio.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cChamei o porteiro respons\u00e1vel pelo Museu e perguntei o que isso significava. Ele respondeu com um sorriso malicioso: \u201cs\u00e3o apenas os cachorros sob vivissec\u00e7\u00e3o no laborat\u00f3rio de M. B\u00e9clard\u201d. Eu expressei o meu horror, e ele retrucou com surpresa e deboche \u2013 pois ele jamais havia ouvido um estudante falar da vivissec\u00e7\u00e3o nesses termos \u2013 \u2018O que voc\u00ea quer? \u00c9 em nome da ci\u00eancia\u2019. Ele se retirou e me sentei sozinha e escutei. Por mais que eu tivesse ouvido e falado, e at\u00e9 mesmo escrito antes daquela ocasi\u00e3o sobre a vivissec\u00e7\u00e3o, foi s\u00f3 ent\u00e3o que a presenciei de fato pela primeira vez, e fui tomada por uma onda de ang\u00fastia mental t\u00e3o extrema que meu cora\u00e7\u00e3o se regelou e quase parou diante do sofrimento.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cN\u00e3o era tristeza, nem mera indigna\u00e7\u00e3o o que eu senti, era algo que mais se aproximava do desespero. Era como se de repente todos os laborat\u00f3rios de tortura em toda a cristandade estivessem abertos na minha frente, com suas m\u00faltiplas e indescrit\u00edveis agonias expostas, e que o terr\u00edvel futuro que uma ci\u00eancia ate\u00edsta estava por toda a parte gerando para o mundo se erguesse e me encarasse de frente.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cE l\u00e1, naquela ocasi\u00e3o e local, enterrando o rosto em minhas m\u00e3os, com l\u00e1grimas de agonia, rezei por for\u00e7a e coragem para trabalhar efetivamente para a aboli\u00e7\u00e3o de um erro t\u00e3o vil, e para fazer ao menos o que um cora\u00e7\u00e3o e uma voz pode para erradicar da terra essa amaldi\u00e7oada tortura\u201d.<\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Ela tamb\u00e9m escreveu:<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cDois caminhos se estendem ante os homens \u2013 o caminho do bem e o caminho do mal \u2013 e o homem \u00e9 livre para escolher entre eles. Os homens de Ci\u00eancia devem escolher, assim como os comerciantes, escritores ou artistas. A perspectiva do sucesso pode seduzir aquele que entra no caminho do mal, mas isso \u00e9 o glamour de uma sutil armadilha, e que cedo ou tarde acabar\u00e1 em cat\u00e1strofe; pois n\u00e3o foi nenhum princ\u00edpio do mal que construiu o universo. <strong><em>Um m\u00e9todo que \u00e9 moralmente errado n\u00e3o pode ser cientificamente correto. O teste da consci\u00eancia \u00e9 o teste da validade<\/em><\/strong>\u201d.<\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">No tocante \u00e0 quest\u00e3o da dieta, a seguinte experi\u00eancia mais do que confirmou para ela a sua defesa de um regime vegetariano. Relatando uma experi\u00eancia nos primeiros anos de seu curso, ela escreveu:<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cOntem no hospital \u2013 no consult\u00f3rio cir\u00fargico de La Piti\u00e9 \u2013 havia um homem com o per\u00f4nio quebrado, que veio para uma consulta.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cDescreva-me o acidente que provocou isso\u201d, eu disse.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cEu escorreguei, minha perna deslizou e eu ca\u00ed.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cComo que voc\u00ea escorregou?\u201d<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cO ch\u00e3o estava banhado de sangue, e eu escorreguei no sangue.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cSangue\u201d, eu exclamei. \u201cQue sangue?\u201d<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cSenhora, eu trabalho num matadouro, \u00e9 minha profiss\u00e3o. Eu estava rec\u00e9m matando e o matadouro estava coberto de sangue.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cOh, ent\u00e3o o meu cora\u00e7\u00e3o se endureceu. Olhei para o rosto do homem. Era do tipo bem baixo, sobrancelhas profundas, uma boca larga e grosseira, uma pele avermelhada \u2013 \u2018selvagem\u2019 estava estampado em cada tra\u00e7o de sua face. O mundo me revolta. Meu neg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 aqui. Toda a terra est\u00e1 cheia de viol\u00eancia e de habita\u00e7\u00f5es cru\u00e9is.\u201d<\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Em 1880, tendo passado todas as provas de conclus\u00e3o de curso, restou apenas a aprova\u00e7\u00e3o de uma tese que ela deveria escrever antes que pudesse obter o diploma. Nessa tese ela fez uma exposi\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios em nome dos quais ela havia buscado se graduar em medicina, a intitulando: <strong><em>De L\u2019Alimentation V\u00e9g\u00e9tale chez L\u2019Homme<\/em><\/strong> (<em>Da Alimenta\u00e7\u00e3o Vegetariana para o Homem<\/em>).<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Edward Maitland disse: \u201cDo custo em trabalho e sofrimento, f\u00edsico e mental, com o qual esse privil\u00e9gio foi obtido, sua biografia d\u00e1 apenas uma p\u00e1lida indica\u00e7\u00e3o\u201d. Uma edi\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas de sua tese foi posteriormente publicada com o t\u00edtulo de <strong><em>The Perfect Way.in Diet<\/em><\/strong><em> (O Caminho Perfeito na Dieta),<\/em> que imediatamente foi considerado como um dos textos mais importantes sobre o assunto, e foi traduzido para v\u00e1rias l\u00ednguas.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Durante todo o per\u00edodo de seu curso de medicina ela experimentou grandes desenvolvimentos espirituais, e recebeu muitas ilumina\u00e7\u00f5es, cujos registros foram preservados por Edward Maitland e inclu\u00eddos no livro <strong><em>Clothed with the Sun: the Book of the Illuminations of Anna Kingsford<\/em><\/strong> (<em>Vestida com o Sol: o Livro das Ilumina\u00e7\u00f5es de Anna Kingsford<\/em>) \u2013 que foi publicado ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">A realidade celestial tinha sido aberta para eles, e se perguntassem \u2013 \u201co que \u00e9 a Ilumina\u00e7\u00e3o Divina?\u201d \u00c9 \u201ca Luz da Sabedoria, por meio da qual o homem percebe os segredos celestiais, cuja Luz \u00e9 o Esp\u00edrito de Deus dentro do homem, mostrando a ele as coisas de Deus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">\u201c\u00c9 para os justos, que se assemelham ao divino, que surge a Luz em meio \u00e0s trevas\u201d. O esp\u00edrito dentro do homem \u00e9 Divino. A verdade \u00e9 revelada a partir do interior, e tudo o que Anna Kingsford escreveu veio do interior, e n\u00e3o do exterior. Ela sabia. A verdade n\u00e3o lhe foi apenas dita. Ela n\u00e3o foi apenas usada. Quando estava sob Ilumina\u00e7\u00e3o era seu ser espiritual que via, ouvia e falava. \u201cEla era uma alma desvelada resplandecendo atrav\u00e9s de uma forma material (&#8230;). Ela absorvia direto do Infinito\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Ainda que \u201caprisionada em um corpo\u201d, como ela estava, tudo o que ela tocava ela iluminava com uma radi\u00e2ncia que brilhava por meio de sua alma: \u2013 <strong><em>Ela era uma profetisa.<\/em><\/strong> Uma de suas Ilumina\u00e7\u00f5es cont\u00e9m este magnificente elogio ao profeta. Ela escreveu:<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cNingu\u00e9m \u00e9 profeta, a n\u00e3o ser aquele que sabe: o instrutor do povo \u00e9 um homem de muitas vidas.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Conhecimento inato e percep\u00e7\u00e3o das coisas, essas s\u00e3o as fontes da revela\u00e7\u00e3o: a alma do homem o instrui, j\u00e1 tendo aprendido pela experi\u00eancia.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Intui\u00e7\u00e3o \u00e9 experi\u00eancia inata; aquilo que a alma sabe dos idos e antigos anos.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">E a Ilumina\u00e7\u00e3o \u00e9 a Luz da Sabedoria, pela qual o homem percebe os segredos celestiais.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Essa Luz \u00e9 o Esp\u00edrito de Deus dentro do homem, mostrando-lhe as coisas de Deus.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">N\u00e3o pense que lhe digo algo que ainda n\u00e3o saiba; tudo vem de dentro: o Esp\u00edrito que informa \u00e9 o<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Esp\u00edrito de Deus no profeta.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">(&#8230;) o conhecimento do profeta o instrui.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Embora fale em \u00eaxtase, ele n\u00e3o profere nada que n\u00e3o saiba.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">V\u00f3s que sois um profeta tivestes muitas vidas; sim, ensinastes muitas na\u00e7\u00f5es, e estivestes diante de reis.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">E Deus vos instruiu nos anos que se passaram; e nas pret\u00e9ritas eras da Terra.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Por meio da prece, do jejum, da medita\u00e7\u00e3o, e por meio da busca dolorosa v\u00f3s alcan\u00e7astes aquilo que conheceis.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">N\u00e3o h\u00e1 conhecimento que n\u00e3o seja obtido pelo labor: n\u00e3o h\u00e1 intui\u00e7\u00e3o que n\u00e3o seja fruto da experi\u00eancia.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Estivestes pelas colinas do Oriente: e segui vossos passos no deserto. Estivestes adorando ao amanhecer: e observei vossas noites de vig\u00edlia nas cavernas das montanhas.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">V\u00f3s conquistastes com paci\u00eancia, \u00f3 profeta! Deus vos revelou a verdade desde o interior.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">[<strong><em>Clothed with the Sun<\/em><\/strong> (<em>Vestida com o Sol<\/em>), pp. 4-6]<\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Anna Kingsford n\u00e3o estava equivocada quanto \u00e0 natureza de seu elevado of\u00edcio. Madame de Steiger (de quem j\u00e1 se fez refer\u00eancia) em seu <strong><em>Memmorabilia<\/em><\/strong> (pp. 171-3) diz que em um jantar dado em homenagem ao estudioso judeu Dr. Ginsburg, no qual ela e Anna Kingsford estavam presentes, ele \u2013 que ainda n\u00e3o a conhecia \u2013 cumprimentou-a da seguinte forma: \u2013 \u201cSenhora Kingsford, ouvi falar muito de voc\u00ea. Me disseram que voc\u00ea leu o meu livro (sobre a Kabalah) e que voc\u00ea \u00e9 uma profetisa.\u201d \u201cSim, Dr. Ginsburg\u201d, ela respondeu, \u201ceu li o seu livro. Esse assunto me interessa muito, e \u00e9 verdade que sou uma profetisa\u201d. Dr. Ginsburg \u201csuspirou\u201d e, com a inten\u00e7\u00e3o de us\u00e1-la para entreter a si mesmo e a seus convidados disse: \u201cvoc\u00ea quer dizer que voc\u00ea pode ser algum tipo de profeta; mas eu me refiro a um real profeta, um grande profeta, digamos, como Isa\u00edas.\u201d Ela meramente respondeu, muito tranq\u00fcila: \u201cSou uma profetisa, e maior do que Isa\u00edas\u201d \u2013 contendo sua emo\u00e7\u00e3o ante a afronta ela n\u00e3o disse mais nada. E Madame de Steiger acrescentou: \u201cEla est\u00e1 sendo honesta quanto ao que disse\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">O pr\u00f3ximo grande evento de sua vida foi logo ap\u00f3s a outorga de seu diploma. Agora ela estava livre para expor abertamente seus pontos de vista sem o medo de ofender as autoridades m\u00e9dicas e possivelmente, com isso, prejudicar a outorga de seu diploma de medicina. Chegara a hora para ela e Edward Maitland iniciarem sua miss\u00e3o espiritual.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Eles iniciaram essa tarefa ao dar, para uma seleta plat\u00e9ia, uma s\u00e9rie de palestras que continham seus ensinamentos, os quais tinham como objetivo <strong><em>\u201ca derrubada do sistema materialista do mundo tanto na religi\u00e3o como na ci\u00eancia\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Tais palestras foram proferidas em 1881 e representaram o principal resultado de sua colabora\u00e7\u00e3o. Estas foram depois publicadas sob o titulo de <strong><em>The Perfect Way; or The Finding of Christ<\/em><\/strong> (<em>O Caminho Perfeito; ou a Descoberta de Cristo<\/em>), e nelas apresentaram \u201cos conceitos intelectuais que fundamentam o Cristianismo, demonstrando que ele \u00e9 uma s\u00edntese simb\u00f3lica das verdades fundamentais contidas em todas as religi\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">O falecido Rev. G.J.R. Ouseley \u2013 que foi padre da Igreja Cat\u00f3lica Apost\u00f3lica Romana \u2013 disse a respeito desse livro que ele era \u201ca melhor e mais brilhante de todas as revela\u00e7\u00f5es que foram dadas ao mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Ao l\u00ea-lo pela primeira vez eu me senti \u201ccomo algu\u00e9m que havia encontrado precioso tesouro\u201d. Por meio de seus ensinamentos me tornei um vegetariano; e o livro me retirou do \u201cterr\u00edvel po\u00e7o\u201d do materialismo \u2013 que n\u00e3o passa de \u201cp\u00e2ntano e lama\u201d \u2013 e pus meus p\u00e9s sobre a \u201crocha\u201d do <strong><em> esp\u00edrito.<\/em><\/strong> O vegetarianismo \u00e9 apenas um dos muitos \u201cfios de ouro\u201d que levam ao \u201cPortal do C\u00e9u\u201d que o ensinamento desse livro oferece a todos que buscam a Verdade. Nas palavras de Blake:<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">\u201cTe dou a ponta de um fio de ouro;<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Basta que o enrole em um novelo,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Ele o conduzir\u00e1 ao Portal do C\u00e9u,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Constru\u00eddo na muralha de Jerusal\u00e9m\u201d.<\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">No que se refere aos \u201csacrif\u00edcios de sangue\u201d mencionados nas Escrituras; e a necessidade da reforma alimentar em geral, temos, a seguir, alguns dos ensinamentos recebidos por Anna Kingsford <strong><em> quando sob Ilumina\u00e7\u00e3o: \u2013<\/em><\/strong><\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cEram, ent\u00e3o, os Profetas, <strong><em>derramadores de sangue?<\/em><\/strong> Deus n\u00e3o permite; eles n\u00e3o tratam de <strong><em>coisas<\/em><\/strong> materiais, mas de <strong><em> significados<\/em><\/strong> espirituais. Seus Cordeiros sem Manchas, seus Pombos brancos, suas Cabras, seus Carneiros e outros Animais sagrados, s\u00e3o os muitos <strong><em>sinais<\/em><\/strong> e <strong><em>s\u00edmbolos<\/em><\/strong> das diversas <strong><em>oferendas<\/em><\/strong> e <strong><em>agradecimentos<\/em><\/strong> que um povo m\u00edstico deve oferecer ao C\u00e9u. Sem tais Sacrif\u00edcios, n\u00e3o h\u00e1 Remiss\u00e3o dos Pecados. Mas quando o <strong><em>sentido m\u00edstico<\/em><\/strong> foi perdido, ent\u00e3o veio a <strong><em>matan\u00e7a,<\/em><\/strong> os Profetas abandonaram a Terra, e os Padres passaram a dominar o <strong><em>povo.<\/em><\/strong><\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cEnt\u00e3o, quando outra vez a Voz dos Profetas se ergueu, eles se viram for\u00e7ados a falar abertamente, e daclararam, em uma <strong><em>linguagem<\/em><\/strong> estranha aos seus <strong><em>m\u00e9todos,<\/em><\/strong> que os Sacrif\u00edcios a Deus n\u00e3o s\u00e3o a Carne dos Touros ou o Sangue das Cabras, mas sim os sagrados <strong><em>votos<\/em><\/strong> e <strong><em>a\u00e7\u00f5es de gra\u00e7a,<\/em><\/strong> que s\u00e3o os seus <strong><em>equivalentes m\u00edsticos.<\/em><\/strong><\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cDo mesmo modo que Deus \u00e9 um esp\u00edrito, tamb\u00e9m s\u00e3o <strong><em>espirituais<\/em><\/strong> os Seus <strong><em>sacrif\u00edcios.<\/em><\/strong> Que <strong><em> tolice,<\/em><\/strong> que <strong><em>ignor\u00e2ncia<\/em><\/strong> oferecer <strong><em>carne<\/em><\/strong> e <strong><em>bebida<\/em><\/strong> materiais ao puro Poder e Ser essencial!\u201d [<strong><em>Clothed with the Sun <\/em><\/strong>(<i>Vestida com o Sol<\/i>), pp. 12-13]<\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201c\u00c9 para o homem frug\u00edvoro, e somente a ele, que a Intui\u00e7\u00e3o se revela, e dela vem toda revela\u00e7\u00e3o. Pois entre ele e seu esp\u00edrito n\u00e3o h\u00e1 barreira de sangue; e apenas nele podem o esp\u00edrito e o homem estar unificados\u201d. [<strong><em>Clothed with the Sun<\/em><\/strong> (<em>Vestida com o Sol<\/em>), pp. 69]<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cCom o afastamento da no\u00e7\u00e3o de Deus desse malef\u00edcio que \u00e9 o derramamento de sangue inocente, e com a natureza Divina recuperada, n\u00e3o h\u00e1 nada que impe\u00e7a a aspira\u00e7\u00e3o da alma\u201d. [<strong><em>Clothed with the Sun<\/em><\/strong> (<em>Vestida com o Sol<\/em>), pp. 77]<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cAgora, Hefesto [um dos deuses da mitologia grega] \u00e9 um destruidor, e o sopro do fogo \u00e9 o toque da morte.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">O fogo que passa pelos elementos de seu alimento, priva-o de seu esp\u00edrito vital, resultando em um cad\u00e1ver ao inv\u00e9s de uma subst\u00e2ncia viva. E n\u00e3o s\u00f3 isso, mas tamb\u00e9m o esp\u00edrito do fogo entra nos elementos do seu corpo, e introduz em todas as suas mol\u00e9culas uma \u00e2nsia que exaure e um ardor compulsivo, lhe impelindo \u00e0 concupisc\u00eancia e ao desejo carnal\u201d. [<strong><em>Clothed with the Sun<\/em><\/strong> (<em>Vestida com o Sol<\/em>), pp. 62]<\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cN\u00e3o coma coisas mortas. N\u00e3o beba bebida fermentada. Transforme em elementos vivos todos os elementos de seu corpo. Mortifique os membros da terra. Tome seu alimento cheio de vida, e n\u00e3o deixe que o toque da morte passe sobre ele (&#8230;) O h\u00e1lito do fogo (terreno) \u00e9 um toque de morte. O fogo que passa pelos elementos de seu alimento o despoja de seu esp\u00edrito vital, e lhes d\u00e1 um cad\u00e1ver ao inv\u00e9s de subst\u00e2ncia viva\u201d. [<strong><em>The Food of Perfection<\/em><\/strong> (<em>O Alimento da Perfei\u00e7\u00e3o<\/em>), p. 3]<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cPurifiquem seus corpos e n\u00e3o comam coisas mortas que tenham olhado com olhos vivos para a luz do Firmamento\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Pois que o olho \u00e9 o s\u00edmbolo da irmandade entre v\u00f3s. A vis\u00e3o \u00e9 o sentido m\u00edstico\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">N\u00e3o deixe homem algum tomar a vida de seu irm\u00e3o e dela alimentar a si pr\u00f3prio. Mas mate apenas aquilo que for mau: e em nome do Senhor\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Est\u00e3o miseravelmente equivocados aqueles que esperam vida eterna, mas n\u00e3o afastam suas m\u00e3os do sangue e da morte\u201d. [<strong><em>Clothed with the Sun<\/em><\/strong> (<em>Vestida com o Sol<\/em>), pp. 153]<\/div>\n<div style=\"width: 50px; height: 30px;\"><\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Na V\u00e9spera do Natal de 1880, <strong> <em>quando falava sob Ilumina\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>, ela disse: \u201cA atmosfera est\u00e1 densa com o sangue derramado para as festividades do fim de ano (&#8230;) A Terra gira envolta de uma nuvem de sangue vermelho como o fogo\u201d; e foi dito a ela \u201cdistinta e enfaticamente\u201d que a \u201cSalva\u00e7\u00e3o do mundo ser\u00e1 imposs\u00edvel enquanto as pessoas se nutrirem de sangue\u201d. Ela disse: \u201cTodo o globo se assemelha a um imenso cemit\u00e9rio (&#8230;) vejo o sangue e ou\u00e7o o grito das pobres criaturas abatidas\u201d. Nesse momento sua ang\u00fastia se torna t\u00e3o extrema que ela chora amargamente e, Edward Maitland diz, \u201cforam necess\u00e1rios dias at\u00e9 que ela recuperasse seu estado usual\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Os poucos anos restantes de sua vida foram dedicados a escrever e a dar palestras em prol do vegetarianismo, contra a vivisse\u00e7\u00e3o, e a expor o Cristianismo esot\u00e9rico em oposi\u00e7\u00e3o ao ensinamento materialista das igrejas, e ao agnosticismo.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Foi durante o per\u00edodo em que escrevia as palestras do <strong><em>The Perfect Way<\/em><\/strong> (<em>O Caminho Perfeito<\/em>) que ela teve a vis\u00e3o intitulada<em> Sobre os Tr\u00eas V\u00e9us entre o Homem e Deus, <\/em>que \u00e9 parte da obra <strong><em>Vestida com o Sol<\/em><\/strong>, a qual lhe anunciou a natureza e o objetivo de sua miss\u00e3o. Edward Maitland disse: \u201cEra mais do que uma vis\u00e3o. Era um drama vivido por ela durante o sono, no qual ela foi retirada do corpo para esse prop\u00f3sito. (&#8230;). N\u00f3s vimos isso como <strong><em>uma verdadeira anuncia\u00e7\u00e3o para ela da obra redentora a ser realizada atrav\u00e9s dela<\/em><\/strong>\u201d. Os nomes dos tr\u00eas v\u00e9us eram o SANGUE, a IDOLATRIA e a MALDI\u00c7\u00c3O DE EVA, e lhe foi dito: \u201c<strong><em>A voc\u00ea foi dado retir\u00e1-los; tenha f\u00e9 e seja corajosa; o tempo \u00e9 chegado<\/em><\/strong>\u201d. No final da vis\u00e3o, ela ouviu estas palavras:<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">\u201cAfastem o Sangue de vosso meio!<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Destruam seus \u00cddolos!<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Restaurem sua Rainha!\u201d<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\"><strong><em>Adorai somente a Deus!\u201d<\/em><\/strong><\/div>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Foi ao retirar estes tr\u00eas v\u00e9us que ela cumpriu sua miss\u00e3o \u2013 a miss\u00e3o para qual nasceu. Todos os tr\u00eas devem ser retirados por cada um de n\u00f3s, e os vegetarianos est\u00e3o particularmente interessados com a retirada do primeiro deles. Muito do que ela escreveu e disse a respeito do vegetarianismo pode ser encontrado na obra <strong><em> Addresses and Essays on Vegetarianism<\/em><\/strong> (<em>Palestras e Ensaios sobre o Vegetarianismo<\/em>), que \u00e9 visto por muitos como um dos melhores livros que j\u00e1 foi escrito sobre os princ\u00edpios do vegetarianismo. Abaixo, alguns exemplos de seus ensinamentos sobre o assunto:<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cAcredito ardentemente que o movimento vegetariano \u00e9 a base e o fundamento de todos os outros movimentos direcionados para a Pureza, a Liberdade, a Justi\u00e7a e a Felicidade. (&#8230;) De civiliza\u00e7\u00e3o n\u00f3s adquirimos at\u00e9 o momento apenas seus mais b\u00e1sicos rudimentos. Civiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa meras facilidades materiais, mas sim Liberdade moral e espiritual \u2013 Do\u00e7ura e Luz \u2013 com os quais os costumes da \u00e9poca est\u00e3o, na maioria dos aspectos, em terr\u00edvel oposi\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Vejo na doutrina que estamos aqui para pregar o pr\u00f3prio \u00e1pice e coroamento da Vida Pac\u00edfica, aquela vida que todos n\u00f3s, em nossos melhores momentos, almejamos viver, mas que s\u00f3 \u00e9 plenamente realizada e glorificada aos olhos do mundo, de vez em quando, por alguma alma grande e nobre, quase divina\u201d. (pp. 145-148)<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cQuem \u00e9 t\u00e3o pobre, t\u00e3o oprimido, t\u00e3o indefeso, t\u00e3o calado e abandonado como os animais sem voz que nos servem \u2013 eles que se n\u00e3o for por n\u00f3s devem passar fome, e que n\u00e3o possuem nenhum amigo na terra se o homem for seu inimigo? Esses animais n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o baixos que n\u00e3o mere\u00e7am piedade, nem t\u00e3o desprez\u00edveis que n\u00e3o mere\u00e7am justi\u00e7a e, sem medo de ser irreverente ou fazer pouco do nome sagrado que os crist\u00e3os amam, podemos realmente dizer dessas criaturas, assim como dos prisioneiros, dos enfermos e dos famintos: \u201cEm verdade vos digo: cada vez que o fizestes a um desses meus irm\u00e3os mais pequeninos, a mim o fizestes\u201d. (<em>Mateus<\/em> 25:40) (p. 150)<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cO essencial da verdadeira Justi\u00e7a \u00e9 o senso de solidariedade. Todos os animais, do mais elevado at\u00e9 o mais baixo, encontram-se de m\u00e3os dadas perante Deus. Jamais come\u00e7aremos a espiritualizar nossas vidas e pensamentos, ou a nos iluminarmos e nos elevarmos, at\u00e9 que reconhe\u00e7amos essa solidariedade, at\u00e9 que aprendamos a olhar todas as criaturas da m\u00e3o de Deus, n\u00e3o apenas como objetos de ca\u00e7a, matan\u00e7a, disseca\u00e7\u00e3o e experimenta\u00e7\u00e3o, mas como <strong>almas vivas<\/strong> que, assim como com os filhos do homem, a alian\u00e7a com Deus est\u00e1 feita\u201d. (p. 150)<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cEm v\u00e3o, hoje, sonhamos com a paz universal, em v\u00e3o falamos sobre abolir as guerras entre as na\u00e7\u00f5es, enquanto n\u00f3s ainda nos contentarmos em viver como animais de rapina. Enquanto o homem se alimentar como os tigres, ele reter\u00e1 em si a natureza do tigre. A paz universal ser\u00e1 imposs\u00edvel at\u00e9 que o homem renuncie a alimentar-se de sangue. Desse modo, considero o vegetarianismo como o derradeiro e \u00fanico meio para a reden\u00e7\u00e3o do mundo\u201d. (p. 143)<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cConsidero o movimento vegetariano o mais importante movimento de nossa \u00e9poca. Acredito nisso porque vejo nele o come\u00e7o da verdadeira civiliza\u00e7\u00e3o. Minha opini\u00e3o \u00e9 que at\u00e9 o presente momento n\u00e3o sabemos o que significa civiliza\u00e7\u00e3o. Quando olhamos para os cad\u00e1veres dos animais, sejam inteiros ou cortados \u2013 que com molhos e condimentos s\u00e3o servidos em nossas mesas \u2013 n\u00e3o pensamos no horr\u00edvel fato que precedeu esses pratos; e, n\u00e3o obstante, \u00e9 algo terr\u00edvel saber que a cada refei\u00e7\u00e3o que fazemos foi a custo de uma vida. Sustento que devemos \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o a eleva\u00e7\u00e3o de toda aquela classe profundamente desmoralizada e barbarizada de pessoas \u2013 a\u00e7ougueiros, boiadeiros e todos os outros envolvidos nesse neg\u00f3cio deplor\u00e1vel. Milhares de pessoas s\u00e3o degradadas pela presen\u00e7a de abatedouros em suas vizinhan\u00e7as, o que condena classes inteiras a uma ocupa\u00e7\u00e3o aviltante e desumana. Aguardo pelo tempo em que a consuma\u00e7\u00e3o do movimento vegetariano tenha criado homens perfeitos, pois vejo nesse movimento o alicerce da perfei\u00e7\u00e3o. Quando percebo as possibilidades do vegetarianismo e as alturas a que ele pode nos elevar, me sinto convencida de que ele se provar\u00e1 o redentor do mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Em continuidade ao lado <strong><em> espiritual<\/em><\/strong> de sua obra, ela aceitou a posi\u00e7\u00e3o de presidente da Se\u00e7\u00e3o Inglesa da Sociedade Teos\u00f3fica (posteriormente conhecida como a Loja de Londres), mas depois transferiu suas atividades para a Sociedade Herm\u00e9tica, da qual foi nomeada Presidente. Foi nessa \u00faltima em que ela deu uma s\u00e9rie de palestras sobre <strong><em>O Credo da Cristandade<\/em><\/strong>; que podem ser encontradas no livro de mesmo t\u00edtulo, publicado ap\u00f3s sua morte.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Tanto ela como Edward Maitland sacrificaram \u2013 sim, \u201csacrificaram\u201d (tornaram sagrado) \u2013 suas vidas para a realiza\u00e7\u00e3o da sua miss\u00e3o. Eles as sacrificaram em prol da reden\u00e7\u00e3o do mundo, o que inclu\u00eda os animais \u2013 pois eles viam a cria\u00e7\u00e3o animal como o \u201chomem em forma\u00e7\u00e3o\u201d. Eles jamais se esqueceram do \u00faltimo mandamento, que se diz ter sido dado por Jesus a seus disc\u00edpulos, antes de \u201cascender aos c\u00e9us\u201d: \u201c<strong><em>Preguem o evangelho a toda a cria\u00e7\u00e3o<\/em><\/strong>\u201d. Isso eles fizeram, pois as leis de Deus estavam em seus cora\u00e7\u00f5es. Nas p\u00e1ginas de <strong><em>O Caminho Perfeito<\/em><\/strong> foi vertido \u201co pr\u00f3prio sangue vital de suas almas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 0px;\" align=\"justify\">Em 22 de fevereiro de 1888, aos 42 anos, ela falece, e onde quer que esse evangelho seja pregado, tamb\u00e9m aquilo que essa mulher realizou ser\u00e1 mencionado em sua mem\u00f3ria. Do ensinamento do <strong><em>Caminho Perfeito<\/em><\/strong> ela jamais se desviou. Pouco antes de sua morte, ela disse: \u201cna f\u00e9 e na doutrina professadas naquele livro eu desejo morrer\u201d. Como uma conclus\u00e3o adequada a essa palestra em sua mem\u00f3ria, cito as seguintes palavras que, certo dia em Paris, lhe foram \u201csubitamente apresentadas \u00e0 sua mente em uma vis\u00e3o em estado de vig\u00edlia\u201d:<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cEu Vos agrade\u00e7o, Senhor,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Que por caminhos sinuosos,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Me levastes a conhecer Vosso Louvor,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">E desta terra in\u00f3spita me conduzistes,<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">Para Vossa Israel aben\u00e7oar\u201d.<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">\n<p style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">\u201cPorque amastes a Justi\u00e7a, e odiastes a Iniq\u00fcidade, ent\u00e3o Deus, o pr\u00f3prio vosso Deus, vos ungiu com o \u00f3leo da Alegria \u2013 (Sabedoria e Amor) \u2013 acima de teus irm\u00e3os\u201d, e \u201cSabedoria e o Amor s\u00e3o Unos\u201d.<\/p>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">SAMUEL HOPGOOD HART<\/div>\n<div style=\"text-indent: 36pt; padding-left: 36px;\" align=\"justify\">llfracombe, N. Devon, Inglaterra<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>HART, Samuel Hopgood. Em Mem\u00f3ria de Anna Kingsford (In Memoriam Anna Kingsford). The Leeds Vegetarian Society, Leeds (Inglaterra), 1947. 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